segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

A Lapidação de Santo Estêvão


O surgimento da arte barroca está claramente ligado à contra-reforma, procurando comover intensamente o seu observador assim a Igreja converte-se numa espécie de espaço cénico, num teatro sacrum onde são encenados os dramas.
A maior diferença que encontramos entre a arte barroca e a renascentista, é que no renascimento a arte pregava o predomínio da razão sobre os sentimentos. A religiosidade é expressa de forma dramática, intensa, procurando envolver emocionalmente as pessoas.
As obras de arte barrocas tornaram-se instrumentos da Igreja, como meio de propaganda e acção. Isto não significa que seja uma arte apenas de santos e anjos, mas de um conjunto de elementos que definem a grandeza de Deus e das suas criações. Os temas favoritos tiveram origem na mitologia greco-romana e em passagens da Bíblia Sagrada, tal como a lapidação de Santo Estêvão que foi a cena da vida do Mártir mais representada neste estilo.
A pintura de Rembrandt, é uma das suas primeiras obras e encontramos representada a lapidação de Santo Estêvão, tal como aparece descrita nos Actos dos Apóstolos (7 – 54), este encontra-se ajoelhado aguardando o seu martírio. A luz incide em cheio em Santo Estêvão e nos homens que o estão apedrejando, ressaltando assim as suas expressões, mostrando todos os sentimentos e reacções ocorridas na cena, destacam-se como é habitual nesta época, as anatomias escultóricas e os seus músculos em tensão. O movimento e o dramatismo da cena, são sem lugar a duvidas elementos de estilo barroco.

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